O Impacto do Câncer na Adolescência
Março 2010
A palavra câncer vem do latim e significa caranguejo. Esse nome deve-se à semelhança entre as pernas do crustáceo e os tentáculos do tumor, que entranham nos tecidos saudáveis do corpo. Os tumores afloram quando determinadas células do organismo se multiplicam desordenadamente, em conseqüência de anormalidade nos genes. Nasce, então, um núcleo celular sólido e uma rede de capilares sanguíneos para dar-lhe sustentação. Através da corrente sanguínea ou linfática as células malignas alcançam outros órgãos, dando origem a novos tumores, estabelecendo-se um processo chamado metástase.
Na maioria das vezes, o câncer é uma doença que demanda tempo para evoluir. Até alcançar o tamanho de um caroço de azeitona, quando é possível diagnosticar, um tumor pode levar alguns anos, dependendo das condições de vida do doente e dos fatores que eventualmente realimentam a enfermidade.
O câncer pediátrico corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais, que pode ocorrer em qualquer local do organismo. A neoplasia em crianças difere dos adultos, estando associado às células do sistema sanguíneo e aos tecidos de sustentação. A doença, porém, é rara, atingindo somente uma criança em cada 600 até quinze anos de idade. Os tumores malignos da infância têm origem em células embrionárias primitivas que, em geral, crescem e se multiplicam mais rápidos do que essas mesmas células em adultos.
Dentre os cânceres pediátricos, os três mais comuns, por ordem, são: leucemias, tumores do sistema nervoso central e linfomas. Correspondentes a cerca de 30% dos casos de câncer da criança, as leucemias costumam aparecer entre 2 e 5 anos de idade. No Brasil, de dez a quinze casos de câncer (entre indivíduos com menos de 15 anos de idade), quatro apresentam o tipo Leucemia Linfática Aguda (LLA). A cura, no país, para quem tem LLA, é de 70 a 80%. Os tumores do sistema nervoso central são o segundo mais corrente em crianças, representando cerca de 15% dos casos. Em 80% das vezes, esse câncer aparece nos primeiros dez anos de vida. Em terceiro lugar, os linfomas são aqueles que acometem os gânglios linfáticos de todo o corpo e podem ter ligação com fatores genéticos e exposição a certos vírus. Apesar de todos avanços tecnológicos, o câncer vem crescendo a cada dia, e este crescimento se reflete em todas as faixas etárias, sem restrições a cor, sexo, raça ou condição sócio – econômica.
O câncer infantil, até há cerca de duas décadas era considerado uma doença aguda e de evolução invariavelmente fatal, porém atualmente tem sido visto como doença crônica e com perspectiva de cura.
O aspecto crônico da doença diferencia essas crianças e adolescentes das demais, pois elas têm um período de tratamento longo, com internações freqüentes, separação da família, perda das atividades educacionais e recreacionais, podendo apresentar reações de agressividade e /ou depressão, gerando traumas para toda a família.
Os sentimentos de insegurança, medo, desespero e perda invadem o adolescente e principalmente sua família, que diante dos acontecimentos, luta com os recursos disponíveis para que o tratamento obtenha sucesso.
Diante da minha vivência em Oncologia Pediátrica, pude observar que o câncer é enfrentado de formas diferentes tanto para a criança como para adolescente, uma vez que estes já possuem um poder de compreensão maior a respeito da doença e dos possíveis efeitos colaterais provocados pelo tratamento, dificultando assim a sua aceitação ao mesmo.
Essa pesquisa tem como questão norteadora quais às mudanças ocorridas na vida do adolescente após a confirmação do diagnóstico. Desta forma, optei por estudar mais profundamente o impacto do câncer nos adolescentes com o objetivo de identificar as alterações físicas, psíquicas, sociais e emocionais que a doença provoca na referida faixa etária após a confirmação do diagnóstico por se tratar de uma doença grave e com relevantes avanços, mas que abrange grande dimensão tanto no lado físico, psíquico, espiritual, como no sócio- econômico do paciente. Espera-se que esse estudo contribua para a intensificação da melhoria na qualidade do atendimento procurando entender o comportamento muitas vezes arredio do adolescente e oferecer um mínimo de conforto e bem- estar para estes adolescentes tão fragilizados por serem portadores de uma das doenças mais temidas pela maioria da população.
Neste trabalho o primeiro capítulo refere-se às considerações sobre o câncer infantil, tipos mais comuns de neoplasias na infância; o segundo é caracterizado pelas mudanças ocorridas no adolescente após o diagnóstico de câncer; o terceiro representa a metodologia e o quarto à apresentação e análise dos dados.
Por Rosangela Alves
Enfermeira
COREN - BA: 92089
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