Pacientes com câncer temem piora no atendimento público
Maio 2009
| Marco Aurélio Martins/Agência A TARDE |
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O Hospital Aristides Maltez não tem condições de absorver novos pacientes sem ampliação |
Pacientes oncológicos que fazem tratamento quimioterápico em cinco clínicas particulares credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) – cerca de 1.300 em Salvador – estão preocupados com a possibilidade de ter problemas com a continuidade do tratamento. É que no dia 31 de agosto vence o prazo para que o Estado estruture hospitais e remaneje esses pacientes que fazem tratamento de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em clínicas que oferecem serviços isolados de quimioterapia (clínicas particulares).
A cobrança está sendo feita pelo Ministério da Saúde, uma vez que a Bahia é praticamente o único Estado que ainda não se adaptou à Portaria 741, de dezembro de 2005, que determina que o atendimento para pacientes com câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS) seja feito em centros e hospitais de tratamento de alta complexidade, que são aqueles que oferecem atendimento de forma integral.
Isso significa que as clínicas oncológicas sem estrutura hospitalar devem ser descredenciadas do SUS em todo o Estado. A preocupação de quem tem a doença é que a rede hospitalar não tenha capacidade para atender à nova demanda.
Apreensão – É o caso da dona- de-casa Márcia Rose de Jesus Campos, 55 anos, cuja demissão do trabalho, há quatro anos, coincidiu com a notícia de que tinha câncer nas duas mamas.
“Só consegui fazer todo o meu tratamento, que continuo até hoje, por meio da hormonioterapia, com a rapidez que o caso exigia, em uma clínica particular que atendia pacientes pelo SUS. Quando precisei ser operada, ainda consegui fazer a cirurgia no Hospital Português, mas, depois, sem plano de saúde e sem condições de arcar financeiramente, fui tentar uma consulta no Hospital Aristides Maltez, mas a espera era de oito meses”, conta Márcia, que se preocupa não só com sua situação, mas com a de outros pacientes que não têm condições financeiras.
“Em uma doença como essa, a demora em iniciar o tratamento pode ser fatal. Na clínica em que faço tratamento, não há diferença para quem é do SUS, convênio ou particular”, destaca, acrescentando que, ao necessitar de radioterapia, não conseguiu em hospital público e, mais uma vez, teve de recorrer a uma unidade particular, pelo SUS.
Desassistência – O assessor técnico da rede de oncologia do Estado, Kléber Martins Gomes, garante que não haverá “desassistência” aos pacientes que se encontrarem em tratamento. “Se não houver tempo hábil, o Estado negociará ampliação do prazo até que a rede esteja apta a absorver essa nova demanda ou arcar com os custos dessa assistência até lá”, garantiu.
De acordo com Gomes, nas cinco clínicas que atendem pacientes oncológicos pelo SUS em Salvador estão, atualmente, cerca de 1.300 pacientes em tratamento, sendo 400 em quimioterapia e 900 em hormonioterapia – esta em forma ambulatorial. Ele diz que, para se adaptar à portaria, a rede do Estado vai construir modelos assistenciais nas capitais de macrorregiões para atendimento oncológico.
Em Salvador, foi habilitado para o novo serviço o Hospital Santo Antônio, das Obras Sociais Irmã Dulce, além dos que já atendem, como São Rafael, Santa Izabel, Aristides Maltez e Cican.
Em Barreiras, será construído um centro anexo ao Hospital do Oeste para atender à região. Na região norte, a adequação do Hospital de Juazeiro está em via de finalização. No extremo sul, o hospital de Teixeira de Freitas já foi adequado.
Na região sul da Bahia (Itabuna e Ilhéus), já está funcionando; na região de Feira de Santana, a Santa Casa de Misericórdia absorveu os pacientes das unidades isoladas; e, em Vitória da Conquista, que atende à região sudoeste, a reforma para adequação do hospital deve ficar pronta até o final do ano.
Fonte: A Tarde
http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=1147280