Criança com Câncer quer viver
Agosto 2009
| Grupo de Apoio a Criança Com Câncer - GACC |
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Criança com Câncer quer viver
No final deste mês, vence o prazo estabelecido pelo Ministério da Saúde para o descredenciamento dos serviços ambulatoriais isolados que tratam pacientes SUS ,acometidos de câncer, inclusive crianças. Objetiva a medida concentrar num único local (hospital) todos os serviços necessários ao tratamento. Denominaram assistência integral. Parece o ideal. No entanto, há equívocos: o primeiro é que ambiente hospitalar não é o mais indicado para pacientes imuno-deprimidos. Agora mesmo estamos vivenciando uma pandemia de gripe (A1N1) suína. Outro, é que para ser integral, precisaria que o SUS suplementasse o trabalho desenvolvido, gratuitamente, pelos grupos de apoio, como é o caso do Grupo de Apoio à Criança com Câncer-Bahia, não deixando faltar nada a essas famílias pobres, quer seja a hospedagem, a alimentação, as assistências terapeutico ocupacional e psicológica e ainda itens não cobertos pelo SUS ou de difícil e demorado acesso como é o caso de diversos exames laboratoriais e de imagem, próteses, órteses, capacitação de profissionais de saúde para detecção precoce da doença, etc.
Na Bahia, agrava o quadro o fato do tratamento SUS ser realizado apenas nos municípios de Salvador e Itabuna e em nenhum serviço do governo, à exceção do Hospital das Clínicas, da UFBA ,que trata hematológicos, embora o Roberto Santos disponha de uma excelente pediatria para não oncológicos.. Além do tratamento oferecido por serviços isolados, todos de boa qualidade, somente os hospitais filantrópicos o realizam, com prejuízos financeiros, por suportarem as inúmeras intercorrências com este tipo de paciente, não cobertas pelo SUS.
Em 21 anos de trabalho já atravessamos inúmeras dificuldades, algumas ainda sem solução como é o número insuficiente de leitos hospitalares e de exames de ressonância magnética ofertados e até da repentina falta de leitos decorrente do descredenciamento de um hospital em 1996.Nada nos amedrontou.
O nosso temor é que vencido este prazo, esses hospitais sem receber uma justa remuneração pelos serviços prestados, tenham sua situação financeira agravada e venham a reduzir o número de atendimentos, sem mais dispor das clínicas isoladas.
O que não queremos é que crianças e adolescentes deixem de ser tratados em condições ideiais, sem demora no processo de diagnóstico e rápidas providências para iniciar o seu tratamento médico com garantia de chances de cura. Além disto, não podemos desperdiçar todo o trabalho realizado ao longo desse tempo, por equipes multidisciplinares de profissinais de saúde e voluntários, depois de termos conquistado resultados expressivos como evitar o abandono ao tratamento e alcançar 80% de chances de cura, índices semelhantes aos dos países desenvolvidos. As Crianças pobres, com câncer, querem e precisam viver.
Roberto Sá Menezes
Fundador e Presidente do Grupo de Apoio à Criança com Câncer-GACC-BA.