Em um terço dos cânceres de mama mulheres passam por tratamentos considerados invasivos e que podem ter sido desnecessários Uma meta-análise da Cochrane (organização internacional que avalia pesquisas médicas) mostra que um terço dos cânceres de mama diagnosticados em países com rastreamento estabelecido não causaria sintomas ou não levaria as pacientes à morte, mesmo que não fossem tratados. Nesses casos, as mulheres passam por tratamentos considerados invasivos e que podem ter sido desnecessários. Mas ainda não há maneira de saber quais tumores vão evoluir. Sabe-se que algumas das lesões detectadas precocemente (como pequenos pontos e calcificações) passam anos sem evoluir para um câncer -em outros casos, regridem ou se estabilizam. No entanto, nenhum exame consegue, ainda, determinar o grau de agressividade. O estudo, publicado no "British Medical Journal", considerou 315 artigos com dados de rastreamento com mamografia em cinco países -Reino Unido, Canadá, Austrália, Suécia e Noruega. Em todos os casos, as mulheres recrutadas tinham mais de 50 anos de idade. Considera-se rastreamento a convocação explícita, para a realização de exames, de pessoas sadias, sem sintomas e de uma faixa etária específica. No Brasil, não existe política de rastreamento para nenhum tipo de câncer. No entanto, especialistas ouvidos pela Folha concordam que o procedimento pode beneficiar pacientes. O Inca (Instituto Nacional de Câncer) afirma que pretende implementar até 2011 o rastreamento sistemático (com convocação de pacientes) para câncer de mama, recrutando para exames bienais as mulheres de 50 a 69 anos. Para isso, o instituto quer aumentar em quase 70% o número de mamografias, passando das 2,6 milhões realizadas em 2008 para 4,4 milhões estimadas em 2011. "Esse número considera mulheres na faixa etária de risco", diz Amâncio Carvalho, coordenador-geral de ações estratégicas do Inca. Para alcançar essa meta, o Ministério da Saúde aumentou os recursos específicos para as mamografias. Em 2009, foram disponibilizados R$ 20 milhões a mais no orçamento. Atualmente o Inca incentiva o "rastreamento oportunista", que acontece quando a mulher na faixa etária de risco procura o posto de saúde por conta própria e é convidada pelo médico a se submeter à mamografia. Carvalho admite, no entanto, que existe o efeito reverso de convocar mulheres sem sintomas a fazer o exame. "Certamente haverá excesso de diagnóstico e existirá uma parcela de mulheres que terá lesões que não evoluiriam para o câncer. Elas vão receber intervenções desnecessárias, mas essa é uma consequência de uma política que está buscando um benefício maior: reduzir a taxa de mortalidade", afirma. Ele diz que o rastreamento organizado será possível com o Sismama, cadastro nacional que, desde junho, reúne dados como o nome e a idade das mulheres, o tempo de espera pela mamografia e o estágio do tumor encontrado, por exemplo. Em 2006, 10.950 mulheres morreram no Brasil em decorrência do câncer de mama. Para 2009, estimam-se 49.400 novos casos da doença.
Fonte: http://www.abcancer.org.br
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